terça-feira, 11 de janeiro de 2022


 EMERGINDO NO CONTEXTO DO IMAGINÁRIO DECADENTISTA-SIMBOLISTA FINISSECULAR, A OBRA DE RAUL BRANDÃO, PRODUZIDA NUM PERÍODO CONTURBADO DA NOSSA HISTÓRIA (1890-1930), ESTABELECE O TRÂNSITO ENTRE UM EGOCENTRISMO, SIMULTANEAMENTE LÚDICO E TORTURADO, E UM PECULIAR EXPRESSIONISMO GROTESCO, ENQUANTO SIGNO DE UMA CONVULSA RELAÇÃO COM A SOCIEDADE, A HISTÓRIA E O SAGRADO: O CARNAVAL NEGRO E O APOCALIPSE. ESTA ESTÉTICA DA CRISE E DO LIMIAR PROJECTA NELE A INTUIÇÃO DA NECESSÁRIA RENOVAÇÃO DA LINGUAGEM LITERÁRIA. À EROSÃO IDEOLÓGICA CORRESPONDERIA UMA EROSÃO SEMÂNTICA, DA A MUTAÇÃO DAS PALAVRAS ANQUILOSADAS PARA AS PALAVRAS PLENAS QUE PUDESSEM ASSUMIR NA SUA POLISSEMIA SIMBÓLICA A VOZ DO DRAMA CÓSMICO OU A ENERGIA DA UTOPIA: CONFRONTO ENTRE A MORTE DO SENTIDO E A SUA DESEJÁVEL RESSURREIÇÃO.